Portal de Conferências da UFRJ, III Jornada Interdisciplinar de Som e Música no Audiovisual 2018

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A convergência contemporânea do Score com o Sound Design no Cinema em Som ao Redor e Mother.
Ricardo César Campos Maia Júnior

Última alteração: 2019-09-21

Resumo


O score ou a música original do filme passa por um processo de transformação perceptível, atualmente. Essas mudanças configuram uma convergências das atividades desempenhadas pelo departamento de som do audiovisual, ou seja, ocorre uma interação cada vez maior entre a música e o trabalho de Sound Design, de Foley e de SFX, principalmente. Anteriormente esses setores do som não se comunicavam muito – no sentido de pensarem processos e atuações conjuntas em um planejamento geral – e como são funções desempenhadas, muitas vezes, por técnicos distintos, essas barreiras foram quase que inevitáveis. Porém, hoje em dia, existe uma confluência crescente entre a música e os demais elementos da Trilha Sonora e, em alguns casos, todas essas pistas são pensadas para integrarem um desenho de som bem planejado. Dessa maneira, as músicas são mais pontuais e dialogam mais com as ambiências, os diálogos e as sonoplastias, de um modo geral. Não que a música venha perdendo espaço para outros elementos da Trilha Sonora e sim que ela procura interagir mais com os mesmos. Alguns filmes chamam atenção nesse sentido, e para tal análise podemos evidenciar os trabalhos feitos por DJ Dolores no Som ao Redor em que o mesmo desempenhou o duplo papel de compositor das músicas e de sound desginer e, no lado mais extremo de tudo isso o filme Mother em que o compositor Johann Johannsson preferiu junto ao diretor Darren Aronofsky não incluir o score feito para o audiovisual. São exemplos relevantes a respeito dessa característica que vem marcando o desenho de som dos filmes atuais. DJ Dolores incorporou os elementos do ambiente sonoro do filme na música composta, ficando difícil de distinguir essas fronteiras em alguns trechos do audiovisual – até porque o título do filme instiga bastante essas convergências. E no caso de Mother, Johann Johannsson mesmo não tendo vinculado o score é creditado como Consultor de Música e Som do filme. Essa mistura de funções gera uma confusão entre Trilha Sonora e Desenho de Som – como se soundtrack fosse score –, o que na realidade acontece é um uso mais misturado entre ambiência, Foley, diálogos, SFX e a música em que há um planejamento mais efetivo entre todos os elementos das pistas de som de um audiovisual. Consequentemente, temos a valorização do trabalho do sound designer perceptível com mais destaque em alguns filmes, como os citados, e também a relação cada mais dialógica entre a música e os demais componentes da Trilha Sonora. Essas aplicações reverberam também em três conceitos contemporâneos sobre o som: o de Paisagem Sonora de Murray Schafer, o de Silêncio de John Cage e de Ambient Music de Brian Eno. O de Schafer pela percepção dos sons do mundo e da conscientização sonora. O de Cage pelo uso do silêncio, do improviso, do acaso e dos ruídos na música. E o de Eno pela transposição do ambiente sonoro aos registros fonográficos musicais que originaram a música generativa feita por um sistema computacional.

 


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