Portal de Conferências da UFRJ, IV Jornada Interdisciplinar de Som e Música no Audiovisual 2019

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Aplicação da trilha musical no primeiro episódio da temporada inaugural de The end of the F***ing World
Marcus Vinicius Marvila das Neves

Última alteração: 2019-09-19

Resumo


Neste trabalho investigaremos a aplicação da trilha musical no primeiro episódio da temporada inaugural de The end of the F***ing World, série televisiva britânica com oito episódios veiculada primeiramente em seu país de origem pelo Channel 4 - e em sua plataforma de streaming, All 4 -, em meados de outubro de 2017 e no janeiro seguinte mundialmente difundida pela Netflix. A trilha musical da série é majoritariamente composta de músicas pré-existentes, ao todo são 32 faixas compiladas pela produção com a curadoria de Graham Coxon, guitarrista do grupo Blur, que também assina a trilha incidental original. A identificação de todas as músicas utilizadas através da elaboração de uma cuesheet do episódio e as possíveis formas de agrupamentos deste material musical a partir de sua distribuição pelo episódio inaugural serão parte exordial da investigação e para tanto recorreremos a Godsall (2019) e suas questões acerca da música pré-existente e da supervisão musical, assim como a Smith (1998) e Ramsay Adams, Dave Hnatiuk e David Weiss (2017). Eugênio Mattos (2014), Michel Chion (1997, 2008) nortearão as situações acerca da composição original. Após a etapa de reconhecimento da seleta musical será realizada análise da aplicação das cues no decorrer do episódio a fim de observar como cada música contribui de forma articulatória à narrativa diante também das escolhas de edição musical e mixagem, logo, como foram acomodadas na banda sonora e, por consequência, como suas aparições apontam particularidades da composição do desenho de som do episódio em questão. Para análise das formas de utilização e aplicação das peças musicais à estrutura sonora partiremos da proposta metodológica de Altman et al. (2000), amplificando-a de modo que, ao final, possamos apontar formal e exemplarmente as questões aqui inferidas. A escolha deste primeiro episódio se dá pela possibilidade de enxergar padrões que futuramente possam ser identificados ao longo da série em um plano mais profundo de análise do uso da música dentro do cenário do desenho de som desta temporada. Para além da identificação, por exemplo, do uso das canções como forma de amplificação da narrativa e das particulares dos personagens, mesmo que neste episódio isso ocorra de maneira menos usual devido ao recurso de overlapping utilizado pela montagem, pelos cortes abruptos da edição musical e pela materialidade dada pela mixagem, fazendo com que ora essas músicas estejam on the air, ora não-diegéticas, queremos ao final estudar não só a presença no decorrer mas o ponto onde se iniciam, onde se cortam as cues e como se mixam - com antecipações, extensões em relação à sequência narrativa e/ou plano imagético -, ou seja,  como esses recursos corroboram para uma fraseologia de aplicação das cues na operação do jogo audiovisual.




Referências Bibliográficas



ADAMS, Ramsay; HNATIUK, Dave; WEISS, David. Musica Supervision: the complete guide to selecting music for movies + TV + games + new media. New York: Schirmer Trade Books, 2017


ALTMAN, Rick; JONES, McGraw; JONES, Sonia. Inventing the cinema soundtrack: Hollywood's multiplane sound system. In: BUHLER, James; FLINN, Caryl; NEUMEYER, David (orgs.). Music and Cinema. Hanover and London: Wesleyan / New England, 2000,  p. 339-359.


CHION, Michel. A audiovisão: som e imagem no cinema. Lisboa: Gabinete Editorial Texto & Grafia, 2008.


_______, Michel. La música en el cine. Barcelona: Paidós Ibéria, 1997.


GODSALL, Jonathan. Releed in: pre-existing music in narrative film. New York: Routledge, 2019.


MATOS, Eugênio. A arte de compor música para o cinema. Brasília: Editora Senac, 2014.


RODRIGUEZ, Ángel. A dimensão sonora da linguagem audiovisual. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2006.



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