Última alteração: 2019-08-27
Resumo
Em cuidados intensivos neonatais, o oxigênio é uma droga frequentemente utilizada, e sua oferta indiscriminada pode levar a consequências danosas ao recém-nascido (RN) prematuro no período neonatal. O Projeto COALA (Controlando Oxigênio Alvo Ativamente) é uma estratégia de mobilização da equipe multiprofissional, que visa otimizar o uso de oxigenoterapia suplementar durante a hospitalização de RN prematuros nas Unidades de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) brasileiras. A presente comunicação tem como objetivo descrever a experiência da equipe de enfermagem na implantação do "Projeto Coala" na UTIN da Maternidade Escola da UFRJ (ME-UFRJ). Espera-se contribuir para a sistematização da implantação desta prática e sua disseminação em outras unidades; além de trazer subsídios para discussões sobre a aplicação do projeto e seus resultados. Estudo descritivo do tipo relato de experiência, por observação participante no cenário da UTIN da ME-UFRJ. A implantação segue as 14 etapas descritas na orientação do projeto. Início em março de 2019, com discussões da equipe de enfermagem e pediatria sobre a temática, e com a disseminação da informação para equipe multiprofissional. A UTIN foi cadastrada no projeto e a equipe gestora recebeu o material informativo e instrucional. Estabeleceu-se o consenso dos RN elegíveis e construiu-se um fluxograma próprio da unidade. Confeccionou-se as placas contendo os limites de alarme e a faixa de saturação alvo de oxigênio para serem fixadas aos monitores. Ajustou-se os limites de alarme na configuração padrão dos monitores. Em abril, a equipe multiprofissional e os residentes da unidade participaram de sete treinamentos em serviço. E em maio, iniciou-se a aplicação do projeto na unidade, conforme fluxograma. Conferência diária é realizada pelas enfermeiras da rotina através de um checklist à beira leito, quanto aos critérios de elegibilidade/permanência do RN no projeto, e os ajustes de alarmes. Os RN inclusos são registrados em livro de acompanhamento do Projeto. Toda equipe é estimulada a fazer ajustes gentis na fração inspirada de oxigênio, bem como conferir os alarmes nas trocas de plantão e na admissão de um RN elegível. Os erros detectados são corrigidos, informados à equipe no momento e um levantamento mensal é fornecido às enfermeiras líderes dos plantões. As auditorias iniciaram-se em junho, um mês após implantação como orientado no projeto. Os resultados foram divulgados para equipe eletronicamente e no mural da unidade. Inicialmente, a equipe demonstrou resistência, mas sensibilizou-se quanto a importância da estratégia, e tem evoluído com significativa adesão.