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TRABALHO DOCENTE, CARREIRA DOENTE: OS PROFESSORES DA UFRJ
Alzira Mitz Bernardes Guarany

Última alteração: 2017-08-18

Resumo


Este trabalho é parte de uma pesquisa sobre os rebatimentos disto na saúde mental e física dos docentes da UFRJ das mudanças ocorridas na educação superior pública a partir da adoção formal do neoliberalismo no Brasil e do gerencialismo na gestão.

Sua metodologia se baseou numa abordagem qualitativa através de um estudo de casos múltiplo, usando a história de vida no trabalho com um roteiro aberto pré-estabelecido e a análise de conteúdo para analisar os dados. As categorias teóricas se inspiraram na Teoria Social Crítica marxista, complementadas por outras de Déjours e Seligmann-Silva, pois não entendemos o marxismo como uma metateoria, mas um fundamento, pois o método dialético possibilita sucessivas aproximações para desvelar muitas das mediações e determinações presentes no objeto de estudo.

Dahmer (2010) aponta que as necessidades expansionistas do capital a partir da crise mundial assinalaram novos rumos e necessidades para a educação, promoveram sua mercantilização e empresariamento, impondo uma nova proposta de gestão e organização do seu espaço, do seu cotidiano e trabalho.

Guarany (2012) afirma que estas inovações introduziram um novo processo de trabalho e outras novidades no cotidiano laboral dos docentes, dentre elas “[...] a produtividade e eficiência, como se sua produção pudesse e devesse ser medida. [...]”, impondo metas e indicadores externamente elaborados, de forma que seu trabalho passasse a ser quase que completamente igualado àquele desenvolvido no setor produtivo, desconsiderando as especificidades da docência.

Tal panorama acaba agenciando a intensificação do ritmo de trabalho, estimula a competitividade entre pares, dentre outras alterações perniciosas para a saúde física e mental dos docentes. A racionalidade passa a ser ditada pela planilha financeira, na qual há a busca por maior produtividade com o menor custo possível.

Estas mudanças alteraram o perfil de adoecimento dos docentes, segundo Guarany (2014), pois antes, na maioria absoluta dos casos os adoecimentos eram pelo uso excessivo e inadequado da voz, pela permanência durante longos períodos em pé, dentre outros, conforme um estudo da Organização para a Educação da UNESCO (2005).

Para verificar como esse panorama rebatia na saúde dos docentes da Universidade, inclusive daqueles que defendiam essas mudanças como forma de superar a crise pela falta de recursos para a educação propusemos a pesquisa que ora apresentamos. Nossa hipótese era de que esse novo contexto deteriorava a saúde mental e física deles, independentemente do seu posicionamento em relação a isto, o que foi corroborado, pois apenas 1 não relatou sofrimento ou adoecimento em função do trabalho. Encontramos depressão, problemas de pele, síndrome do pânico, desequilíbrio das taxas metabólicas e até câncer.

Esta pesquisa não é representativa de todo o universo, contudo os achados parecem-nos mostrar a ponta de um iceberg que não pode e não deve ser desprezado, muito menos secundarizado, pois esse fenômeno não nos parece isolado nem individual, mas sim difuso. Novos estudos são necessários e podem ajudar tanto o movimento organizado dos professores, como também pautar os órgãos de gestão da UFRJ.

Palavras-Chave: trabalho docente, adoecimento, neoliberalismo, intensificação do trabalho.

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