Última alteração: 2017-08-17
Resumo
O objetivo central dessa pesquisa é compreender os sentidos atribuídos aos apoios que estudantes necessitam para entrar e permanecer em cursos superiores públicos. Apoios são aqui entendidos como suportes financeiros, materiais e afetivos que permitem ao (a) aluno (a) entrar para a universidade e nela permanecer. Quem fornece esses apoios? Os apoios exigem retribuição? De que tipo? Eles são efetivos? Quais escolhas de apoio são possíveis? Como o estudante entende esses apoios? Essas perguntas se inserem em uma preocupação teórica com a discussão sobre projetos de vida, trajetórias sociais e mobilidade social. Pretende-se responder a essas perguntas considerando o cruzamento entre gênero/idade/cor/classe social dos estudantes. Esses cruzamentos são necessários para pensarmos as situações de diferença social que marcam as trajetórias dos alunos e que podem vir a se expressar em hierarquias classificatórias.
A pesquisa lida com tema de interesse para as políticas públicas brasileiras. Além disso, o estudo das trajetórias educacionais na universidade e sua relação com redes de apoio aos estudantes permitem-nos elaborar teoricamente a questão das relações de troca na vida social e os processos de mobilidade e de mudança na história recente do Brasil.
A partir de um desenho qualitativo foram selecionados estudantes de graduação de serviço social, dos turnos diurno e noturno, para realização de entrevistas abertas sobre suas trajetórias de vida acadêmica. Assim, foram abordadas questões relativas à transição do ensino médio para a universidade, a escolha do curso superior, os desafios para ingresso e permanência, a rotina de estudos, a entrada em grupos políticos ou coletivos dentro da universidade, a relação professor-aluno e a interação entre colegas. Foram entrevistados até agora nove (9) estudantes, homens e mulheres, com faixas etárias entre 19-29 anos e com mais de 40 anos, brancos e negros, de origens sociais também distintas e que estão no início ou na primeira metade do curso. A pesquisa também pretende entrevistar futuramente estudantes do curso de relações internacionais. O perfil sócio econômico do alunado da graduação em relações internacionais difere daquele de serviço social, por isso, incluímos esse curso para contraste na pesquisa.
Nossa comunicação nesse seminário apresenta os resultados parciais da pesquisa, iluminando esse perfil de alunado e os sentidos que os mesmos atribuem às suas formas de permanência no ensino superior e o significado partilhado sobre ser um “estudante universitário”.
Palavras chave: ensino superior; trajetórias educacionais; apoios