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RUMO AO TRICENTENÁRIO: O PRÉDIO DO LARGO DE SÃO FRANCISCO DE PAULA, PATRIMÔNIO EDIFICADO DA UFRJ
Última alteração: 2017-08-18
Resumo
Em tempos de pós-modernidade, marcados pelo presentismo, observamos uma onda de patrimonialização de bens materiais e imateriais. O conceito "lugar de memória" de Nora (1993) nos possibilita compreender esse processo. Os "lugares de memória" permitem "(...) parar o tempo (...) bloquear o trabalho do esquecimento (...)". Eles nascem e vivem do sentimento de que não há memória espontânea: "é preciso ter vontade de memória". No entanto, não basta simplesmente dar formas; é preciso dar significado às formas constituídas. Assim, esse lugar deve ser reconhecido como tal por sua relevância social e histórica. No âmbito do poder público, o Iphan (em nível federal) e o Inepac (no estadual) são órgãos governamentais brasileiros vigentes, responsáveis por preservar, divulgar e fiscalizar os bens culturais, além de garantir sua utilização pela atual e futuras gerações. Um dos seus instrumentos é o tombamento de bens através de um conjunto de ações, alicerçado em legislação específica, para preservar os bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e afetivo. A UFRJ possui doze conjuntos arquitetônicos tombados por esses órgãos. O presente trabalho objetiva dar visibilidade, justamente, a construção mais antiga do patrimônio edificado da UFRJ, que abriga, atualmente, o Instituto de História e o de Filosofia e Ciências Sociais, situados no Largo de São Francisco de Paula, no Centro da cidade. Visamos contribuir para a conscientização sobre a importância e a necessidade da preservação do patrimônio edificado da UFRJ através da compreensão, valorização e divulgação dessa edificação histórica. Selecionamos, como estratégia, a elaboração e a realização de uma série de três curta-metragens sobre o prédio: no primeiro, já finalizado, abordou-se seu histórico, desde sua construção até a atual ocupação; e os outros dois, em processo de edição, tratarão da sua arquitetura e seus componentes decorativos, com ênfase em seus elementos neoclássicos. O Neoclassicismo constituiu-se numa releitura do estilo greco-romano antigo, nascido na Europa em meados do século XVIII e que chegou ao Brasil com a vinda da família Real Portuguesa e difundiu-se no período imperial. Para compreender a construção e as especificidades arquitetônicas do prédio neoclássico em foco, atualmente pertencente a UFRJ, optamos pelo conceito de “invenção das tradições” de Hobsbawm (2008), que relacionou o desenvolvimento das tradições ao contexto do Estado-nação. Ele defendeu que as tradições são inventadas pelas elites nacionais para justificar a existência e a importância das suas respectivas nações. Esse conjunto de práticas incorporaria determinados valores e comportamentos, definidos por meio da repetição, num processo de "continuidade em relação ao passado", via de regra, um passado histórico apropriado para perpetuação do presente ou para definição de uma ritualística capaz de estabelecer um padrão de perpetuidade. Assim, objetiva-se ir “além da pedra” ao priorizar a historicidade da materialidade característica do edifício neoclássico selecionado. Buscamos construir uma abordagem desse patrimônio edificado UFRJ, que conduza a interpretações mais amplas para compreensão das conexões mais expressivas do patrimônio associado ao seu meio cultural e histórico.
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