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AS POLÍTICAS DE AVALIAÇÃO NO ENSINO SUPERIOR: ANÁLISE DOS DISCURSOS NO RELATO DE PROFESSORES DA UFRJ.
Marcia Santos Giraldez Evald, Fabiana Freitas Poso, Chreiva Magalhães Malick, Gustavo Oliveira Figueiredo

Última alteração: 2017-08-17

Resumo


Este trabalho traz resultados preliminares de um projeto de pesquisa qualitativa que está sendo desenvolvido sobre avaliação participativa do currículo de graduação e da formação superior na área da saúde: estudo de caso do Curso de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Esta pesquisa está em andamento desde 2014, tendo várias vertentes, como evasão, o perfil de ingressante e dos egressos, a reforma curricular do curso, além da avaliação que é o foco desse estudo. Um dos objetivos desse projeto maior é desenvolver um processo de avaliação participativa, possibilitando refletir sobre a qualidade da formação na instituição e subsidiar para o processo de planejamento curricular. O que nos leva a refletir sobre como está sendo implementada a política de educação no ensino superior, as suas consequências e como está sendo vista na prática, diante do fato de que muitas vezes a educação é pensada como forma de produção e serviço sob a regência da lógica do mercado. Assim, busca-se reduzir e subordinar a prática do ensino-aprendizagem à exterioridade prescritiva e, por isso mesmo, passível de ser classificada, mensurada e comparada, sempre com a finalidade de se atingir metas. Um dos exemplos dessa política de regulação é o surgimento de uma cultura da performatividade, bem definida por Ball, que é um dos teóricos da pesquisa em questão, em que os desempenhos de sujeitos individuais ou de organizações servem de parâmetros de produtividade ou de resultado, ou servem ainda como demonstrações de "qualidade" ou "momentos" de promoção ou inspeção (BALL, 2005). Ainda de acordo com Ball (2005), cada sociedade estabelece uma "economia política" de verdade/poder pela qual certos tipos de discurso são acolhidos como verdadeiros e outros não. Assim, o poder "não destrói o indivíduo, ao contrário, ele o fabrica” (MACHADO, 1986, p. XX). Como consequência, as avaliações e classificações, postas dentro da competição entre grupos dentro das instituições, podem engendrar sentimentos individualistas. Entendemos que a avaliação nas atuais práticas educativas, revela-se frágil ao conduzir apenas para a verificação dos conhecimentos, impedindo que a mesma seja dinâmica, interativa, contínua e voltada para prestar ajuda no desempenho dos alunos, assim como a maneira como as políticas de avaliação estão sendo pensadas e implementadas em nosso cenário educacional. É neste contexto que iniciamos com uma revisão bibliográfica sobre a temática e levantamento preliminar por meio de entrevista aberta - sem roteiro das concepções de avaliação na graduação e na pós graduação na visão de sete professores do CCS da UFRJ. Posteriormente, foi feita uma análise dos discursos presentes nas mesmas, fundamentada em seus aspectos teóricos metodológicos na teoria Bakhtiniana. Esta investigação demonstrou a presença de diversas vozes complementando-se, justapondo-se e estando dialogicamente inter-relacionadas. Diante disso, acreditamos que os resultados deste estudo de caso e a análise desta experiência poderão subsidiar outros cursos na UFRJ.

Palavras-chave: políticas de avaliação; professores de ensino superior; qualidade do ensino; formação discente.

 


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