Última alteração: 2017-08-18
Resumo
A ferida é qualquer interrupção na continuidade de um tecido corpóreo, sendo considerado um problema de saúde pública com elevado e crescentes custos para o sistema de saúde. Um dos tratamentos que existe é à base de papaína que é uma mistura de enzimas de origem vegetal, extraída de Carica papaya L. A papaína pode ser utilizada sob diversas formas farmacêuticas, porém apresenta problemas relacionados à sua estabilidade e armazenamento. Além disso, os pacientes com feridas crônicas precisam trocar constantemente seus curativos e ter cuidados especiais, sendo assim, a troca de informações terá consequência direta na efetividade do tratamento. O objetivo desse trabalho consiste em orientar, educar e fornecer informações sobre as diferentes formas farmacêuticas com papaína, sua estabilidade, processo de autocuidado e educação sanitária aos pacientes que estão em tratamento no ambulatório da Comissão de Métodos Relacionados à Integridade da Pele (COMEIP), do HUCFF, pacientes e cuidadores que obtêm esses medicamentos da Farmácia Universitária (FU) da UFRJ. Metodologia: Foi realizado um levantamento de dados dos relatórios de venda, extraídos do software Fórmula Certa, utilizado pela FU, no ano de 2016. Avaliou-se o banco de dados da COMEIP nos últimos 3 anos. Também foram identificados junto com a equipe de enfermagem os principais prescritores que necessitam das informações atualizadas sobre papaína. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre papaína nas seguintes bases de dados: ScienceDirect, PubMed, Scopus e Scielo, nos últimos 10 anos. Resultados e Discussão: Observou-se que 1625 medicamentos foram vendidos em diferentes formas farmacêuticas como gel, creme, talco, pomada e cápsula. As formulações em gel foram as mais prescritas, totalizando 1541 prescrições, nas seguintes concentrações: 10%, 8%, 6%, 5%, 4%, 3% e 2%. Pôde-se observar também a associação com outros medicamentos, como ácidos graxos essenciais, ureia, lanette e vitamina D3, todos auxiliando na reintegridade da pele. Observou-se que dos 1017 tratamentos de feridas em 2014, 18,1% foram realizados com papaína, dos 1236 tratamentos em 2015, 17,8% foram tratados com papaína e dos 1231 de tratamentos em 2016, 17,6% foram tratados com papaína. Os principais prescritores estão relacionados à dermatologia, cirurgia vascular, geral e plástica. Além disso, a papaína distribuída no HUCFF não vem sempre dos mesmos fornecedores, havendo uma oscilação nas suas características visuais ideais, que são a coloração transparente e a ausência de grumos. A partir da revisão bibliográfica foi possível identificar as diferentes interações da papaína, assim como a melhor forma de armazenamento por conta da sua estabilidade. Conclusão: Foi possível elaborar um folheto e guia de orientação com informações atualizadas para os pacientes com informações sobre: modo de utilização, diferentes formas farmacêuticas disponíveis, interações, incompatibilidade e armazenamento.