Última alteração: 2017-08-18
Resumo
O campo tecnológico das instituições brasileiras de ensino superior sempre priorizou o atendimento às demandas dos grandes empreendimentos capitalistas e teve como base os referenciais teóricos e metodológicos dos países mais desenvolvidos. O distanciamento de uma parcela significativa da realidade brasileira é uma frequente nessas áreas, tanto nos projetos desenvolvidos quanto nas salas de aula.
Foi a partir da percepção dessa contradição que alguns grupos começaram a articular-se, no ínicio da década de 2000, para trilhar outro caminho de atuação no campo tecnológico. Embora seja uma iniciativa recente, sua construção remonta atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas nos últimos 30 anos dentro do Centro de Tecnologia por profissionais e estudantes de diversas ênfases das engenharias em diálogo interdisciplinar com as ciências sociais, educação, letras entre outras áreas do conhecimento.
Os distintos grupos formados ao longo desse período tem em comum a busca pela atuação da engenharia em prol da transformação social, entendo-a como o resgate da cidadania e dos direitos fundamentais pelos cidadãos brasileiros que vivem nas condições mais vulneráveis: populações tradicionais sem acesso à energia elétrica, moradores das favelas, analfabetos, agricultores familiares e movimentos sociais que lutam pelo acesso à terra, ao trabalho digno e à moradia.
Foi em 2013 que se institucionalizou o Núcleo Interdisciplinar para o Desenvolvimento Social (NIDES), que articulou essas iniciativas dentro do CT. Em 2016, o Nides deu um passo importante para o fortalecimento desse campo com criação do mestrado profissional do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia para o Desenvolvimento Social com sua primeira turma de mestrado profissional.
Prezando pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, os grupos que conformaram o NIDES e, consequentemente, o PPGTDS, desenvolvem projetos que prezam pela dialogicidade e por uma visão crítica da atuação tradicional da engenharia, tendo a pesquisa-ação como inspiração metodológica. Dentre eles podemos citar a longeva atuação do Laboratório de Informática para a Educação, do Laboratório de Fontes Alternativas de Energia e do Núcleo de Solidariedade Técnica. Os conhecimentos das engenharias precisam ser repensados sob a luz da realidade vivida por esses grupos sociais se quisermos ter uma atuação distinta. A teoria crítica da tecnologia embasa o marco teórico da tecnologia social, que é o nome de uma das três linhas do PPGTDS.
Nesse sentido, a ação dos grupos que hoje compõem o NIDES preza pelo debate sobre ensino de engenharia e educação. Esse debate consolidou-se em duas experiências de extensão voltadas para o ensino fundamental e médio em uma perspectiva politécnica, tendo o trabalho como princípio educativo. Essas ações, coordenadas pelo Núcleo Interdisciplinar UFRJMar, foram a base para a criação da linha de Trabalho e Formação Politécnica, que é outra linha do PPGTDS.
Outro eixo importante de ação, diz respeito à intensificação da participação da população em distintas esferas da vida. O aprofundamento da participação política na esfera pública, a radicalização da democracia no interior das empresas e o diálogo aberto sobre a gestão dos bens comuns compõem os temas de debate da linha de Gestão Participativa.