Última alteração: 2017-08-27
Resumo
No dia 3 de outubro de 2016, um incêndio atingiu parte do oitavo andar do Prédio Jorge Machado Moreira, onde se localizavam salas da administração da Reitoria da UFRJ. No andar abaixo, o acervo do Museu D. João VI da Escola de Belas Artes saiu incólume, mas foi grande a comoção da equipe e dos amigos do museu. Logo após o ocorrido, estudantes e professores da UFRJ, pesquisadores, historiadores de arte de várias universidades brasileiras, diretores de museus, e em especial do Museu Nacional de Belas Artes, nos procuraram pedindo notícias e oferecendo ajuda. Nessa comunicação, apresentamos as ações que foram e estão sendo realizadas a partir de então, para preservar o acervo desse museu que guarda a memória do ensino oficial das artes no Brasil. Foi em 1979 que o Museu D. João VI foi criado, 4 anos após a transferência da Escola de Belas Artes para a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão. Até então, as obras que hoje integram o museu estavam expostas nas salas de aula e corredores da escola, pois a origem da coleção do Museu Dom João VI é justamente o material produzido por alunos e professores da antiga Academia, posterior Escola de Belas Artes, no decorrer das práticas didáticas da instituição. Assim, a motivação para a criação do museu foi a salvaguarda de uma coleção de alto valor para o entendimento da história do ensino artístico no Brasil. Atualmente, com os locais fechados ao público após o incêndio, a batalha diária da equipe do museu tem sido manter o ambiente saudável para os objetos, preservando sua matéria física para conservar seu bem imaterial, a história contada nestes artefatos. O acesso a essa história tem sido mantido através de empréstimos recentes de obras para exposições importantes em espaços cariocas como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu de Arte do Rio e a Pinakotheke Cultural, ou em São Paulo, como o Instituto Tomie Ohtake e a Pinacoteca do Estado de São Paulo. A divulgação de pesquisas sobre o acervo tem sido feita pelas redes sociais (Facebook do museu), e em eventos como os Seminários do Museu D. João VI, cuja próxima edição está prevista para novembro desse ano. Nosso acervo reúne a produção de alunos e professores da primeira Escola de Artes do Brasil, escola que serviu de modelo às demais espalhadas pelo país. O presente estudo conta um trecho da história da UFRJ e mostra o modelo do desenvolvimento institucional de um museu e seu acervo, apresentando o resgate da memória de uma coleção que é importante não somente para a Escola de Belas Artes mas para o país.
Palavras-chave: Museu D. João VI; preservação; memória: ensino das artes.