Última alteração: 2017-08-17
Resumo
A educação brasileira atravessa um período de muitas mudanças. A paralisação dos investimentos em educação será um grande desafio a toda sociedade, principalmente aos trabalhadores da educação. Nosso estudo tem como principal objetivo identificar transversal e longitudinalmente os fatores que contribuem para o desenvolvimento da síndrome de Burnout em profissionais da educação básica. O uso de espaços para diálogos, por meio da roda de conversa, buscará favorecer o protagonismo dos profissionais da comunidade escolar e fomentar a construção de um ambiente resiliente. Além de investigar ações coletivas que atuem preventivamente amenizando os riscos oferecidos pela estrutura escolar e quais as alternativas possíveis para a amenização dos danos à saúde mental e física dos trabalhadores. A Síndrome de Burnout (SB) ou esgotamento profissional é uma síndrome psicológica, caracterizada por elevada exaustão física e emocional, elevada despersonalização e baixa realização profissional, que conduz à erosão dos valores pessoais, profissionais e de saúde. Os estudos sobre a SB na área da educação revelam um cenário cada vez mais preocupante devido a situação precária das escolas no Brasil e das questões relacionais complexas que envolvem o ambiente laboral dos profissionais de educação. Com a PEC 241/2016 (PEC 55 / 2016) esse cenário poderá tornar-se ainda mais caótico devido ao congelamento dos investimentos em educação e com a reforma do ensino médio. Apresentamos resultados prévios acerca das rodas de conversa realizadas com profissionais de educação no estado do Rio de Janeiro. As análises prévias revelam uma representação social dos trabalhadores da educação que destaca uma visão da educação hoje centrada em palavras como ‘desafio’, ‘descaso’, ‘desvalorizada’ e ‘amor’ a profissão. Os resultados com o inventário Maslach para Burnout – versão para educadores (MBI-ES) esboçaram um cenário grave para as três dimensões da síndrome. As variáveis com resultados mais relevantes foram: sexo, número de escolas em que trabalha, número de alunos em sala, número de turmas e número de disciplinas que leciona, salário, tempo de experiência. Outros aspectos organizacionais também foram observados: violência, falta de recursos materiais e de pessoal, profissionais especializados para dar suporte, a alta exigência nas relações sociais, sobrecarga de tarefas administrativas, além da quantofrenia vivida nas administrações públicas. Contudo, as ações propostas têm mostrado que os espaços de escuta e de fala em ambientes escolares podem incrementar a resiliência aos fatores contribuintes da SB com os profissionais de educação.
Palavras-chave: Burnout; Resiliência; Roda de Conversa